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O que está incluído no custo da certificação WELL? Os componentes do orçamento explicados

Make Valencia
Make Valencia
Technical Lead

Mestre em Engenharia Mecânica pela USP/EESC (Brasil), com as credenciais LEED AP BD+C, LEED AP O+M, LEED Green Rater e EDGE Expert. 12 anos de experiência em consultoria de certificações LEED.

O custo do WELL não é só a taxa do IWBI. Explicamos os quatro componentes do orçamento, o que faz cada um subir ou cair e como planejá-los desde o início.

Uma das primeiras perguntas quando uma empresa ou incorporadora avalia a certificação WELL é quanto ela vai custar. A resposta curta é que depende do projeto. A resposta útil é entender do que esse custo é feito, porque só assim é possível montar um orçamento realista e defendê-lo diante de um comitê de investimento.

Neste artigo explicamos os quatro componentes que formam o custo de uma certificação WELL, quais variáveis fazem cada um subir ou cair e quais decisões iniciais ajudam a controlá-los.

O que é o WELL e por que seu custo funciona de outro jeito

O WELL é o padrão do International WELL Building Institute (IWBI) que certifica como um edifício impacta a saúde e o bem-estar das pessoas que o ocupam. Sua versão vigente, o WELL v2, se organiza em 10 conceitos: Ar, Água, Nutrição, Luz, Movimento, Conforto térmico, Som, Materiais, Mente e Comunidade. Cada conceito tem pré-requisitos obrigatórios e otimizações que somam pontos, e conforme a pontuação o projeto alcança o nível Bronze, Prata, Ouro ou Platina.

A grande diferença em relação a outras certificações é que o WELL não é aprovado só com documentos: ele exige testes de desempenho no edifício pronto. Essa característica explica boa parte da sua estrutura de custos.

Os quatro componentes do custo

1. Taxas do organismo certificador

O IWBI cobra uma taxa de inscrição por projeto e uma taxa de programa calculada conforme a área a certificar. Há variantes com taxas diferentes, como o WELL Core, pensado para edifícios de núcleo e envoltória, em que a incorporadora controla as áreas comuns e os sistemas base, mas não os interiores dos inquilinos. O IWBI também oferece descontos para membros e para alguns tipos de projeto.

É o componente mais previsível: conhecendo a área e a modalidade, o valor é quase automático. Vale conferir a tabela vigente do IWBI ao registrar o projeto, porque ela é atualizada periodicamente.

2. Verificação de desempenho no local

Antes de conceder o selo, um agente de desempenho credenciado visita o edifício e mede parâmetros como qualidade do ar, qualidade da água, iluminação, acústica e conforto térmico. Se algum resultado não atingir os limites, o projeto precisa corrigir e medir de novo.

O custo depende da área e do número de andares, que definem quantos pontos de amostragem são necessários, e da logística para o agente chegar ao projeto. Uma prática que reduz riscos é fazer testes preliminares de ar e água antes da visita oficial: eles permitem corrigir a tempo e evitam uma segunda verificação.

3. Consultoria técnica

A consultoria define a rota de pontos para chegar ao nível desejado, coordena as equipes de projeto, obra e operação e prepara a documentação revisada pelo organismo. É também a principal alavanca de economia: duas estratégias podem chegar ao mesmo nível com investimentos muito diferentes, por exemplo uma que exige mudar o sistema de ventilação e outra que soma pontos com políticas de nutrição, saúde mental e comunidade que quase não exigem obra.

4. Melhorias físicas e operacionais

É o componente mais variável, porque depende de quão longe o edifício está dos requisitos. As melhorias mais comuns são:

  • Ar: filtragem de maior eficiência, monitoramento de CO₂ e partículas, mais ar externo.
  • Água: filtragem nos pontos de consumo e testes periódicos de qualidade.
  • Luz: acesso à luz natural, controle de ofuscamento e iluminação que respeite o ritmo circadiano.
  • Mente e Comunidade: espaços de descanso, salas de amamentação e programas de bem-estar, que muitas vezes são decisões de gestão mais do que de construção.

O que faz o orçamento subir ou cair

  • A etapa em que o WELL é incorporado. Integrá-lo no projeto é muito mais barato do que adaptar um edifício pronto.
  • O nível desejado. Passar de Prata para Platina exige otimizações adicionais em vários conceitos.
  • O estado dos sistemas existentes. Em edifícios em operação, uma boa ventilação e água de qualidade reduzem muito as melhorias necessárias.
  • A combinação com outras certificações. WELL e LEED compartilham o organismo revisor (GBCI) e vários temas, como qualidade do ar interior e materiais, então conduzi-las em paralelo evita retrabalho. Foi o que fizemos na MMG Tower, no Panamá.

Como o investimento retorna

O WELL não foi pensado para economizar energia. Seu retorno aparece em outros lugares: no aluguel e na ocupação para o proprietário, e em produtividade, absenteísmo e retenção de talentos para a empresa que ocupa o espaço. Explicamos como estruturar esse cálculo no business case de uma certificação de saúde.

O contexto de cada país e tipo de edifício

As melhorias necessárias mudam conforme o clima, a qualidade da água da rede e as práticas construtivas de cada mercado. Para ver como o WELL se aplica no seu país, confira nossas páginas de certificação WELL no Brasil, México, Colômbia e Peru. Se o seu projeto é corporativo, comece por WELL para escritórios.

Quer uma estimativa para o seu edifício? Na página de certificação WELL você encontra uma calculadora para uma primeira aproximação, ou pode falar conosco para um diagnóstico de lacunas.

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